1 Secos e Molhados

Tudo era seco e amargo. As ruas eram secas, como numa sexta - feira cinzenta de outono, com folhas e mais folhas secas caídas ao chão, deixando as árvores secas também. A cidade era seca e sem cor. De longe ela avistava apenas alguns telhados cinzentos, cobertos por fumaça que as chaminés exalavam. As pessoas eram secas e sem graça, fisicamente secas e amarelas. O verde do campo havia se perdido, o gramado do pasto estava amarelado. Os animais estavam secos, a pele pregada junto aos ossos, era possível confundi-los com as  varetas das pouquíssimas árvores que ainda se encontravam de pé.Como escrevera Graciliano Ramos no passado "Vidas Secas", literalmente secas.
Ela esperava pela chuva, que rodeava a cerca de uma semana, trovejava...mas nada de chuva...o chão duro de terra batida formava pequenas nuvens de poeira no ar, quando algum automóvel se arriscava trafegar por aquela estrada deserta.
Pedia a Deus que essa chuva viesse alimentar sua vida, sua alma. A cada hora que passava olhava para o céu que continuava límpido, o que levou ela a desconfiar que os raios e trovões que ouvira não passara de fruto da sua imaginação produtiva, cansada de esperar. O Guarda-Chuvas era sua companhia diária, não saia da bolsa, mas ainda não tivera nenhuma serventia.
Pensou que a falta dessa água iria destruir sua vida, podendo causar sua morte, mas decidiu que ia viver, de qualquer forma, a qualquer preço. Iria lutar com todas as forças. Entregou nas mãos de Deus, chorou e dormiu.
As lágrimas rolaram pelo travesseiro, molharam o lençol . Deus ouviu suas preces, colheu suas lágrimas. Choveu pela manhã. Foi o dia mais feliz de sua vida. Observou o arco-íris e sorriu. 

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